MELIPONÁRIO ECOLÓGICO FEHAC
Levando abelhas nativas sem ferrão de volta para a natureza!
O MELIPONÁRIO ECOLÓGICO
Bem-vindos(a) ao Meliponário Ecológico da FEHAC, um espaço vibrante dedicado à vida, à biodiversidade e ao futuro do nosso ecossistema. Aqui, voltamos nossos olhos para algumas das mais importantes, porém muitas vezes esquecidas, arquitetas da natureza: as Abelhas Nativas Sem Ferrão (ASFs).
Por que Abelhas Nativas Sem Ferrão?
Essas pequenas notáveis são essenciais para a saúde ambiental. Como polinizadoras especializadas da nossa flora nativa, as ASFs garantem a reprodução de inúmeras espécies de plantas, a formação de frutos e sementes, e a manutenção da riqueza das nossas matas e paisagens. Diferente das abelhas africanizadas (com ferrão), as ASFs são dóceis, representam um patrimônio genético brasileiro e são cruciais para o equilíbrio ecológico. Infelizmente, muitas espécies estão ameaçadas pela perda de habitat e pelo uso indiscriminado de agrotóxicos.
Nossa Missão: Um Voo de Volta à Natureza
O Meliponário Ecológico da FEHAC não é apenas um local para abrigar colônias; é um centro ativo de conservação e reintrodução. Nossa missão é clara:
Resgatar e Proteger: Cuidar de colônias de diferentes espécies de ASFs adaptadas à nossa região.
Multiplicar com Consciência: Promover a multiplicação sustentável das colônias, fortalecendo suas populações.
Reintroduzir na Natureza: O objetivo principal é levar essas abelhas de volta para onde elas pertencem – áreas verdes, matas ciliares, parques e até mesmo jardins urbanos conscientes, ajudando a restaurar a teia da vida local.
Educar e Inspirar: Disseminar o conhecimento sobre a importância vital das ASFs e inspirar a comunidade a se tornar parceira na conservação.
O Compromisso Ecológico da FEHAC
Acreditamos que a ação local tem impacto global. Ao investir neste meliponário, a FEHAC reafirma seu compromisso com a sustentabilidade e a preservação ambiental. Estamos trabalhando ativamente para que o zumbido gentil das nossas abelhas nativas volte a fazer parte da trilha sonora da natureza ao nosso redor.
HISTÓRICO DE ATIVIDADES 2024
Resumo Executivo
Este relatório apresenta uma análise abrangente das atividades e resultados do projeto de repovoamento de abelhas sem ferrão (ASF), com foco nas espécies Melipona quadrifasciata, Melipona mondury, Scaptotrigona depilis (abelha canudo) e Melipona marginata (abelha monduri), conduzido pelo Meliponário Ecológico da FEHAC em uma área de mata nativa no município de Seara, Santa Catarina, ao longo de 2024. Iniciado em 2023, o projeto foi significativamente ampliado neste ano para incluir novas espécies e avaliar a dispersão natural das colmeias, a autosustentabilidade das populações e os impactos ecológicos de longo prazo. Os dados mostram um aumento de 250% na formação de enxames naturais para M. quadrifasciata e M. mondury, além da confirmação da independência alimentar das colmeias. No entanto, as novas espécies enfrentaram desafios significativos, incluindo predação por macacos-prego e infestações por pragas, resultando na perda de várias colmeias. Estratégias inovadoras foram implementadas para mitigar esses desafios, e planos para 2025 incluem a implantação de colmeias mais robustas e sistemas de proteção aprimorados.
Introdução
As abelhas sem ferrão (ASF) são polinizadores essenciais para a preservação da biodiversidade e a manutenção de ecossistemas tropicais e subtropicais. Diferentemente das abelhas com ferrão (Apis mellifera), as ASF não constroem favos de cera, mas sim estruturas de cerume — uma mistura de cera e resinas vegetais — para armazenar mel, pólen e criar suas crias. O projeto do Meliponário Ecológico da FEHAC, iniciado em 2023, buscou reintroduzir e fortalecer populações de Melipona quadrifasciata e Melipona mondury em Seara, SC. Em 2024, o escopo foi expandido para incluir Scaptotrigona depilis e Melipona marginata, espécies com potencial para diversificar a polinização na região. Este relatório detalha os métodos empregados, os resultados quantitativos e qualitativos, os desafios enfrentados e as estratégias inovadoras que garantiram o sucesso parcial da iniciativa.
Metodologia
Multiplicação de Colmeias
Realizamos 05 multiplicações de colmeias ao longo do ano de 2024, utilizando a técnica de divisão assistida com placas de cerume reciclado.
Implantação e Monitoramento
Implantação: Instalamos 8 novas caixas na mata nativa, elevando o total para 18 unidades de suporte ao enxameamento natural. A escolha dos locais considerou fatores como a densidade de flora nectaríflua (e.g., Eugenia uniflora e Myrciaria cauliflora), a proximidade de riachos e a proteção contra ventos fortes e predadores. Cada caixa foi posicionada a pelo menos 20 metros de distância das demais para evitar competição entre colmeias.
Implantação de Novas Espécies:
Em 2024, expandimos o projeto para incluir Scaptotrigona depilis (abelha canudo) e Melipona marginata (abelha monduri). Recebemos doações de quatro colmeias de cada espécie da comunidade de Chapecó. Dessas, uma colmeia de canudo foi mantida no berçário em Chapecó, na sede da fundação, e uma colmeia de monduri foi mantida no berçário em Seara. As demais foram implantadas na mata nativa de Seara, seguindo os mesmos critérios de seleção de locais utilizados para as espécies anteriores.
Monitoramento Intensivo:
Foram realizadas inspeções mensais detalhadas, totalizando 12 visitas anuais, para avaliar a formação de enxames, a saúde das colônias e as interações com a fauna local, especialmente macacos-prego (Sapajus nigritus).
As colmeias de canudo e monduri foram monitoradas mensalmente, com foco na adaptação ao novo ambiente e na formação de novas colônias. Infelizmente, enfrentamos desafios significativos com essas espécies. Duas colmeias de monduri e uma de canudo foram destruídas por macacos-prego em busca de alimento.
Tecnologia Avançada: instalamos as 03 câmeras-armadilha com sensores de movimento e visão noturna para monitoramento contínuo de caixas favoritas dos macacos. Esses dados permitiram identificar padrões de atuação destes primadas, forma de abordarem as caixas, horários de abordagem e periocididade.
Mitigação de Desafios
Interação Faunística: A predação por macacos-prego representou um desafio significativo, com três caixas danificadas nos primeiros meses. Implementamos redes metálicas galvanizadas de malha fina ao redor das caixas e instalamos estações de distração com frutas (e.g., bananas e mangas) a 100 metros das colmeias, reduzindo os ataques em 80%.
Condições Climáticas Extremas: Tempestades frequentes no inverno danificaram duas caixas em julho. Reforçamos todas as unidades com bases de madeira tratada e instalamos telhados inclinados para melhorar o escoamento da chuva. Durante chuvas intensas, aplicamos abrigos temporários de lona impermeável, protegendo as colmeias mais expostas e garantindo a sobrevivência das colônias.
Controle de Pragas: Observamos infestações leves por formigas (Linepithema humile) em quatro colmeias. Introduzimos barreiras físicas com óleo vegetal nas bases das caixas e realizamos limpezas quinzenais, eliminando o problema sem o uso de químicos. Para as moscas soldado, testamos armadilhas de feromônio, mas os resultados foram inconclusivos. Acreditamos que a implantação de colmeias mais fortes, com pelo menos três melgueiras cheias, possa aumentar a resiliência das colônias. Essa estratégia será testada em 2025.
Conclusão
O projeto do Meliponário Ecológico da FEHAC em 2024 alcançou resultados mistos. Para M. quadrifasciata e M. mondury, observamos um aumento de 250% na formação de enxames naturais e a confirmação da autosustentabilidade das colmeias, consolidando o sucesso da iniciativa. No entanto, as novas espécies S. depilis e M. marginata não se estabeleceram com sucesso, enfrentando perdas significativas. Para 2025, planejamos testar a implantação de colmeias mais robustas dessas espécies, com pelo menos três melgueiras cheias, e desenvolver sistemas de proteção mais eficazes contra macacos-prego, como cercas elétricas de baixa voltagem. Além disso, continuaremos a monitorar e gerenciar a presença de Apis mellifera na área do projeto. Recomendamos a expansão do projeto para Chapecó e Arvoredo, focando nas espécies já bem-sucedidas, enquanto refinamos as estratégias para as novas espécies.
HISTÓRICO DE ATIVIDADES 2023
- Realizadas 10 multiplicações de abelhas nativas sem ferrão no Meliponário Ecológico da FEAC.
- Implantação do projeto piloto para repovoamento das abelhas nativas sem ferrão (ASF) em mata natural localizada no município de Seara. Havendo êxito e bons resultados, a FEAC expandirá para outras áreas de mata no município de Chapecó, Arvoredo e Seara.
Etapas do projeto piloto:
- Mapeamento da área, dos possíveis enxames naturais existentes (localizados 04 enxames de jataí) e dos troncos ocos viáveis para recebimento de enxameamentos.
- Neste projeto piloto foram implantadas na mata:
- 10 Colmeias de abelhas Melipona Mondury.
- 10 Colmeias de abelhas Melipona quadrifasciata.
- Instaladas 10 caixas vazias de apoio ao enxameamento na mata, visando facilitar em um primeiro momento a multiplicação das abelhas.
- Montado grupo de estudos ambientais e acompanhamento do projeto piloto de repovoamento das ASF no município de Seara.
- Realizadas visitas para monitoramento das caixas de ASF no projeto piloto + alimentação das mesmas até que haja sua completa adaptação ao bioma:
- Abril: 8 de abril de 2023
- Maio: 6 de maio de 2023
- Junho: 10 de junho de 2023
- Julho: 8 de julho de 2023
- Agosto: 12 de agosto de 2023
- Setembro: 9 de setembro de 2023
- Outubro: 7 de outubro de 2023
- Novembro: 11 de novembro de 2023
- Dezembro: 9 de dezembro de 2023
NOTA: nas visitas de novembro e dezembro foram localizados em troncos de árvores 04 enxames de abelhas Melipona quadrifasciata e 01 de Melipona Mondury, num raio de 800 metros das caixas pertencentes ao projeto piloto, em locais que antes não apresentavam enxames, o que nos leva a crer que são os primeiros enxames em ambiente natural oriundo do presente projeto.
Também na data de 11 de novembro foi localizado um enxameamento de Melipona Mondury em uma caixa vazia de apoio ao enxameamento, implementadas pelo projeto. O enxame, com menos de 01 mês na caixa, não prosperou, pois sofreu ataque do grupo de macacos prego que habitam aquela mata, o qual destruiu a caixa em busca de alimentos.
Em dezembro foi proposta a criação de um grupo para monitoramento também dos macacos pregos, por serem extremamente raros na região, porém o projeto foi deixado para 2024 pela falta de voluntários.